sábado, 10 de março de 2012

Mulheres que fazem a diferença 
Escrito em 12/03/2008

No Dia Internacional da Mulher, reunimos no Galpão Cultural de Assis, mulheres que realmente fazem a diferença em nossa cidade. Claro que não foi possível contar com a presença de todas as mulheres que mereciam lá estar, porém, foram muito bem representadas.
Hoje quero contar a história de Teófila, nossa querida Téo que, segundo ela, daria um livro que se chamaria: “Como transformar dificuldades em oportunidades”, no que eu concordo plenamente.
Téo é a mãe de Aline que nasceu linda, saudável, mas que com sete meses apenas sofreu uma terrível doença diagnosticada como meningoencefalite  que a deixou em coma profunda por dez dias e que ao acordar era outra criança, com graves seqüelas e necessitava de tratamento terapêutico continuado, remédios controlados e cuidados especiais.
Aline perdera a visão, audição, coordenação motora e tinha dificuldades para se alimentar.
Fisioterapia, fonoaudiologia, ludoterapia , viagens para Marília, São Paulo e o diagnóstico desanimador que não dava esperança de melhoras.
Mas, aconteceu a reabilitação. E essa mãe guerreira, para atender Aline e pessoas nas mesmas condições, começou a idealizar um projeto que chamou de SIM, para debater com os muitos “não” que ouvira na sua jornada com Aline.
A que ponto chega o amor e a garra de uma mulher.
O  “SIM” que nasceu em 1992, hoje é um Centro Avançado de Habilitação, Reabilitação e Inclusão Social para pessoas com deficiência de Assis e região. Atende gratuitamente 150 crianças, jovens e adultos, dando suporte desde o nascimento, com equipe capacitada a atender dentro dos melhores padrões de qualidade. Oferece serviços médico, odontológico, serviço social, de enfermagem, atendimentos terapêuticos (psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional), atendimento educacional com atividades pedagógicas, brinquedoteca, oficina de informática, oficinas ocupacionais, marcenaria e oficina cultural (dança, canto e expressão corporal).
O resultado de tudo isto, vemos no espetáculo anual Vôo Colorido apresentado em nossa cidade, como forma de inclusão social.
Teófila, com sua grandeza, levou o SIM, juntamente com toda a sua equipe a receber o prêmio “Bem Eficiente”que contempla as 50 melhores cidades do Brasil!
Como voluntária e idealizadora do projeto, ainda não satisfeita, sonha com uma Oficina Alternativa e preparo profissional, um novo consultório odontológico e um curso de línguas estrangeiras. Alguém tem dúvida que ela conseguirá?
Com a maior simplicidade ela resume tudo: “ Enquanto houver um sorriso recompensando os nossos esforços,valerá a pena investir no ser humano e, as maiores emoções acontecem no dia-a-dia, com a superação de Aline e de nossos companheiros de jornada. Sempre é possível transformar dificuldades em oportunidades. Basta ter força, coragem e crença naquilo que faz.”
Diante desta história, só podemos deduzir que Teófila e Aline, duas mulheres escolhidas por Deus como instrumentos, no Seu firme propósito de proporcionar melhor qualidade de vida a pessoas tão especiais como elas e concretizar o mais um projeto divino.

Essas mulheres...

Escrito em

30/03/2008
Em meio a tantas Marias que cruzaram o meu caminho e cheio de propósito, Deus me fez conhecer uma senhora, pequena em estatura, mas dona de um grande coração: Maria Nunes.
Admiradora do ideal de São Francisco, seguidora do seu exemplo e divulgadora de sua obra.
A capela São Francisco de Assis, na Vila Glória, era ainda de madeira.quando inspirada por um trabalho que acontecia na nossa vizinha Candido Mota, essa mulher iniciou uma linda caminhada.
Reunindo diariamente mulheres da comunidade, pessoas carentes inclusive financeiramente, ali desenvolviam trabalhos manuais e artesanatos diversos.
Por vários anos esse trabalho dirigido por D. Maria, ali aconteceu.
Mas o sonho era de se ter uma sede própria.
Fé e persistência não faltaram àquela mulher.
A resposta veio em forma de doação de um terreno na Rua Monsenhor David, em meio a um matagal.
Sem dinheiro, mas contando com a providência Divina, D. Maria continuava a sua luta, juntamente com outras mulheres, com o objetivo de manter um espaço onde pessoas pudessem passar horas de confraternização, aprendizado, solidariedade, fazendo de todos doadores e receptadores de toda "paz e bem".
Tirar as pessoas de dentro de casa para terem uma convivência maior com os outros, um dos sonhos de D. Maria, que afirma: “Vindo para cá, as pessoas aprendem conversando, aumentam o círculo de amizades e desviam a depressão e o stress”.
Tudo isso hoje uma realidade ainda não concluída, porém num salão acolhedor, onde muitos abraços nos esperam.
Fraternidade Franciscana Secular Rainha da Paz de Assis, mesmo tendo ficado em “dormência” por dez anos, hoje assiste à várias famílias carentes, conquistando assim o seu reconhecimento.
Não pensem que D. Maria ou algumas daquelas mulheres maravilhosas que lá se reúnem, se dão por satisfeitas. A resposta que obtive quanto a isso, foram as palavras de São Francisco antes de morrer: “ recomecemos, porque até agora nada ou quase nada fizemos”.
Imaginem! Além das aulas de artesanato e trabalhos manuais nas tardes de terças, quartas e quintas, aulas de violão nas manhãs de sábados, o Salão Franciscano sedia o Projeto Agita Assis. Isso sem falar nas aulas de ginástica nas tardes de segundas, quartas e sextas.
Algo neste artigo “cheira” a propaganda?
E por que não divulgar a iniciativa de uma mulher como D. Maria Nunes, que conseguiu agregar outras mulheres para a realização deste trabalho maravilhoso?
Hoje a Fraternidade Franciscana tem como presidente (Irmã Ministra), Maria Aparecida Modos. Tinha de ser Maria!
Entregue em boas mãos, mas sem perder jamais a presença constante de D. Maria.  
Paz e bem!
 

 


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012


Ousadia
Não poderia eu dar outro título a isso.
Por mais que eu pense e tema, a necessidade de registrar uma vivência tão grata é maior do que tudo.
Voltar à pacata Chavantes é remomorar e verificar o que de bom ficou da minha passagem por la em quatros anos de moradia na cidade.
Antes de chegar à rodoviária, ao sair da rua central, é inevitavel olhar para à minha esquerda em busca de uma das figuras mais humanas que já conhei: Geraldo Machado. La fica sua casa, onde fui tão amavelmente recebida outrora. Eu queria saber e perguntava. E ele respondia, calmamente e me ensinava.
Cheguei ao seu portão com receio, não queria importuná-lo, mas desejava muito vê-lo.
Sua filha Cristina atendeu-me sorrindo e disse-me que ele teria saído e provavelmente estaria no Museu.
Quantas lembranças trouxeram-me esta informação... O Museu de Chavantes... Sr Francisco... meu querido pai Brito (José Brito Pessoa, meu avô materno com quem fui criada).
Meu pai doou para este Museu objetos muito valiosos para ele, como uma foto “revelada na lata” que continha-o ainda menino ao lado do seu pai.
O Museu ficava na época próximo à rodoviária, mas para a minha surpresa, agora estava bem mais distante da casa do Sr Geraldo: na Antiga Estação Ferroviária. E mais lembranças alojadas se manifestaram: meu pai foi ferroviário. Chefe do lenheiro! Imaginem!
Fui ao encontro de Geraldo Machado. La estava ele sentado aguardando-me, pois Cristina havia ligado avisando-o.


Não nego que estava muito emocionada e o livro que eu levava “A memória em Negro” pesava nas minhas mãos, como a responsabilidade de um “cargueiro”.
Após passarmos por atualizações necessárias, abraçar com saudades a minha amiga Maria Helena , pude entregar-lhe o livro e em seguida, recebi de suas mãos sua mais recente obra: “ Na garupa da memória” .
Convidou-me para almoçarmos em sua casa e para isso saímos.
No caminho, amigos o cumprimentavam com alegria e respeito.
Há muito tempo eu não sentia o sabor do cavalheirismo.
Atenciosamente, me conduzia para que não ficasse nunca para o lado da rua na calçada e sempre oferecendo-me à sua frente.
Caminhamos juntos e vez em quando ele dizia: “ Não se esqueça que eu tenho 92 anos!”
Em sua casa, muito bem recebidos por Cristina, sua filha, a cada canto uma lembrança. A cada objeto uma história.
A pedra de moinho como mesinha de centro na Biblioteca, convidando a manter a leitura circulando sempre.
Aquela “barba veneranda” no quadro, mostrando que a sabedoria é muito mais do que o acumulo de informações obtidas e atualizadas.
A estrada que se abre à minha frente, na tela convitativa para viajarmos em suas memórias estrada afora, na garupa da ancestralidade.
Tudo isso, perfumado com o tempero de Cristina.
Mesa posta, chamado feito! Que delicia o aconchego desse lar!
Que difícil terminar esse dia e voltar à realidade cotidiana e com tantas imbecilidades.
Geraldo Machado, respondeu-me tudo o que eu perguntei e muito mais o que não questionei.
E não nos esqueçamos que ele tem apenas 92 anos!

Fotos do Jornal  Debate 
Santa Cruz do Rio Pardo - SP
 
Jornal